
Em cavernas de calcário sob uma floresta no México, lagos escuros como breu abrigam os chamados peixes cegos das cavernas – animais que nascem com olhos vestigiais, que desaparecem à medida que crescem, deixando órbitas oculares preenchidas por gordura e cobertas de escamas.
Segundo um estudo publicado este mês na revista Communications Biology, essa não é a única transformação facial peculiar que esses animais podem experimentar ao longo da vida. Quando eles nascem, suas papilas gustativas são semelhantes às dos seus parentes próximos da superfície, no entanto, à medida que crescem, elas começam a se espalhar para outras áreas, como o rosto e o queixo.
Os peixes cegos das cavernas não são considerados uma espécie distinta, apesar de sua aparência peculiar. Eles pertencem à mesma espécie do tetra mexicano (Astyanax mexicanus), um peixe que habita riachos e rios próximos à superfície.
Enquanto os tetras de superfície possuem escamas prateadas e olhos grandes e redondos, os peixes das cavernas são pálidos e sem olhos. Apesar das diferenças físicas, as duas populações permanecem geneticamente semelhantes e podem se cruzar, produzindo descendentes férteis.
Pesquisas anteriores sugerem que as características das cavernas surgiram várias vezes através da evolução convergente, em que peixes de superfície colonizaram diferentes cavernas, formando populações isoladas que se adaptaram de maneira semelhante às condições escuras.
A perda de olhos nesses animais é um exemplo clássico de evolução regressiva, que ocorre frequentemente em espécies que habitam cavernas. Embora muitas criaturas cavernícolas desenvolvam sentidos não visuais aprimorados, pouco se sabe sobre como esse processo ocorre.
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