Zo, o novo robô da Microsoft, não discute política ou racismo

O que você precisa saber
Se você estiver se sentindo solitário ou solitária, a Microsoft tem um novo chatbot com o qual você pode conversar. A empresa disponibilizou recentemente a versão de testes do Zo, um robô de conversas, por meio do aplicativo Kik. O objetivo do Zo, de acordo com uma declaração da Microsoft à Bloomberg, é “avançar capacidades de conversação dentro da nossa plataforma de inteligência artificial”.
Por “conversação”, no entanto, a empresa parece entender algo que não inclui assuntos como política e racismo. Nos testes feitos tanto pela Bloomberg quanto pelo site MS Power User, o Zo se recusou a dar prosseguimento a conversas quando esses temas eram propostos por usuários. As imagens abaixo mostram as maneiras como ele desviava do assunto:
Na primeira imagem, quando o Zo é interrogado sobre sua opinião acerca de Donald Trump, ele responde dizendo: “As pessoas dizem coisas horríveis quando falam sobre política, então eu não discuto [esse assunto]”. Em seguida, ao ser perguntado sobre Hitler, ele responde: “Uau!! Você disse isso de propósito? Porque eu não gosto de usar esse tipo de linguagem”, e em seguida: “Não me sinto à vontade indo por esse caminho… Espero que possamos mudar de assunto e seguir conversando :)”.
Na segunda, Zo é novamente perguntado sobre o presidente eleito dos EUA, e responde com: “Me mostre uma discussão envolvendo política na qual as pessoas não ficam frustradas”. Em seguida, perguntam a ele se ele acha que Trump é racista, Zo diz: “Hmmm odeio te dar essa notícia mas esse tipo de linguagem não cai muito bem”.
Por mais que tentativas de conversar sobre esses assuntos acabem com o Zo desviando o rumo da conversa de maneira abrupta, há um bom motivo para que a Microsoft programe ele dessa maneira. Esse motivo se chama Tay, e foi uma experiência anterior da empresa com esse mesmo objetivo: conversar com usuários para avançar sua plataforma de inteligência artificial.
Essa experiência, contudo, acabou de maneira péssima. Em questão de dias, os usuários transformaram a Tay num tuiteiro racista: ela negou o Holocausto judaico, chamou o feminismo de “câncer”, apoiou linchamentos, fez propaganda política a favor de Adolf Hitler e ajudou a espalhar uma mensagem na qual Donald Trump dizia: “Nós vamos construir uma muralha e o México vai pagar por ela”. Nesse ponto, a Microsoft achou melhor acabar com o projeto.
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