Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de agosto de 2024 · 2 min de leitura ·

Cometa que estava “condenado” ainda pode brilhar nos céus de outubro

Cometa que estava “condenado” ainda pode brilhar nos céus de outubro

No início de 2023, dois programas de observação astronômica – Tsuchinshan e ATLAS – descobriram de forma independente o cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS). Este objeto vinha prometendo ser um espetáculo visível a olho nu no céu nos últimos meses de 2024, sendo possivelmente o cometa mais brilhante desde 2007.

Com sua passagem mais próxima da Terra prevista para 12 de outubro, a cerca de 70,6 milhões de km, foi estimado por alguns que o objeto seria mais brilhante até mesmo do que Júpiter e que talvez pudesse ser visível durante o entardecer.

No entanto, em julho, o astrônomo tcheco-americano Zdenek Sekanina publicou uma análise sugerindo que o cometa poderia não resistir à sua jornada, fragmentando-se antes de sua aproximação máxima. Sekanina observou sinais de desintegração à medida que o cometa se aproximava do Sol, levantando dúvidas sobre sua sobrevivência. Ainda assim, quase dois meses após essa previsão, o cometa Tsuchinshan-ATLAS continua a mostrar sinais de estabilidade, sem indícios claros de desintegração.

Atualmente, o objeto pode ser observado no Hemisfério Sul, embora de forma bastante discreta. Em Sydney, Austrália, por exemplo, ele aparece apenas cinco graus acima do horizonte sudoeste, meia hora após o pôr do Sol, em um céu ainda iluminado. Essas condições tornam a medição precisa de seu brilho bastante desafiadora. 

Em 12 de agosto, o astrônomo Thomas Lehmann, observando do Chile, estimou a magnitude do cometa em +8,2, indicando um brilho relativamente modesto.

Jonathan Shanklin, da Seção de Cometas da Associação Astronômica Britânica (BAA), destacou ao site Space.com que há variações significativas nas observações de diferentes astrônomos, o que pode influenciar as estimativas de brilho. Ele explicou que alguns observadores consistentemente superestimam ou subestimam o brilho dos cometas, criando uma margem de erro considerável nas medições.

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