Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de setembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Flechas venenosas teriam sido usadas por caçadores há mais de 50 mil anos

Flechas venenosas teriam sido usadas por caçadores há mais de 50 mil anos

Uma nova análise realizada em flechas usadas por caçadores-coletores europeus há mais de 50 mil anos revelou indícios da utilização de veneno nas armas. A descoberta derruba a compreensão atual da ciência sobre a caça durante a Idade da Pedra, sugerindo que armamentos complexos foram desenvolvidos pelas populações daquela época.

Para tentar reconstruir as maneiras como essas armas podem ter sido usadas, os pesquisadores analisaram as propriedades balísticas de mais de 500 pontas de flechas paleolíticas de 25 locais diferentes no norte da Europa, datadas entre 14.700 e 11.700 anos atrás.

Ao calcular os valores da área da seção transversal da ponta para cada uma dessas armas, os autores foram capazes de discernir o tamanho do corte que elas deveriam fazer na pele de uma presa. Isso revelou se as pontas de pedra eram mais adequadas para uso em lanças, dardos, flechas regulares ou flechas venenosas.

A equipe explica que quando o veneno é usado, as pontas das flechas geralmente são pequenas e não exigem muito em termos de profundidade de penetração, já que tudo o que é necessário é que a pele seja cortada para que o veneno possa entrar na corrente sanguínea da presa.

As descobertas revelaram que as pontas de flecha mais antigas tinham valores semelhantes aos de Stellmoor, sugerindo assim que o arco e flecha foi adotado por caçadores europeus há pelo menos 14.700 anos. No entanto, algumas evidências apontam que as armas eram ainda mais antigas.

Para tentar determinar quando de fato teriam começado a ser usadas as flechas envenenadas, os autores do estudo também analisaram materiais de 54 mil anos localizados na famosa Caverna Mandrin, na França. Os resultados sugerem que cerca de um quarto das pedras eram “balisticamente mais adequados para uso como pontas de flechas envenenadas”, enquanto outros 45% eram ideais para flechas não envenenadas.

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