
Crenças de que naves espaciais alienígenas visitam a Terra ou que civilizações antigas receberam ajuda de extraterrestres para desenvolver tecnologias sempre despertaram grande interesse. No entanto, quando se trata dessas civilizações do passado, faltam provas concretas que sustentem tais ideias, e muitas vezes essas teorias são fraudulentas ou facilmente explicáveis por outros meios.
Avistamentos modernos de OVNIs – termo normalmente usado para se referir ao que atualmente é chamado de Fenômenos Anômalos não Identificados (UAPs, na sigla em inglês) – também têm gerado relatos intrigantes, com pessoas observando luzes misteriosas e movimentos aéreos incomuns.
Ainda que algumas dessas observações venham de fontes confiáveis, daí a afirmar que se trata de espaçonaves alienígenas é um salto enorme. A simples falta de explicação não comprova a existência de visitantes de outros planetas.
Teorias da conspiração podem ter efeitos negativos, principalmente em comunidades vulneráveis. Para Tony Milligan, pesquisador em filosofia da ética no Kings College London, na Inglaterra, é necessário refletir sobre as consequências dessas crenças.
Ele destaca que a ideia de que civilizações antigas precisaram da ajuda de alienígenas carrega um viés racial. Tais narrativas surgiram a partir da descrença de europeus quanto à capacidade de povos considerados “primitivos” de realizar grandes feitos, como a construção de monumentos. Em vez de reconhecer a capacidade tecnológica dessas culturas, pseudo-historiadores preferiram atribuir suas realizações à interferência externa.
Livros e documentários sobre alienígenas antigos se tornaram extremamente lucrativos, alimentando essas crenças. Em um artigo publicado no site The Conversation, Milligan destaca que um canal no YouTube dedicado ao tema, por exemplo, acumula milhões de seguidores há mais de 20 anos.
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