
Um dos animais mais estudados pela ciência tem o poder de se antecipar ao perigo pelo faro. O sistema imunológico do nematoide Caenorhabditis elegans consegue identificar possíveis ameaças pelo cheiro, como uma bactéria, e preparar o organismo para a infecção antes que ela aconteça.
A capacidade desse verme foi o foco de um recente experimento da Universidade da Califórnia, em Berkeley. O objetivo era entender como o mecanismo de proteção do animal funcionava. Detalhes do estudo foram publicados na revista Science Advances.
Sabe aquele hábito de cheirar a comida antes de comer? É um mecanismo humano para evitar consumir algo que potencialmente pode nos fazer mal. No caso do verme Caenorhabditis elegans, seus neurônios olfativos enviam um sinal de alerta para o sistema imunológico quando detectam uma “comida estragada” ou, mais precisamente, patógenos, como bactérias.
No entanto, em vez de evitar que o verme se alimente das bactérias, ao detectar o cheiro perigoso, o organismo do animal começa a se preparar para combater a infecção antes mesmo dela acontecer.
Basicamente, começam a destruir partes importantes de suas células chamadas mitocôndrias, que são como as “baterias” do corpo. Elas também armazenam o ferro essencial para a sobrevivência de bactérias invasoras. Ou seja, ao se livrar das mitocôndrias, também se livram do ferro. Assim, os vermes se protegem contra futuras infecções.
Os cientistas da Universidade da Califórnia, Berkeley, acreditam que essa estratégia defensiva evoluiu para ajudar os vermes a sobreviver. Eles precisam comer bactérias para viver, mas não têm a visão para diferenciar as boas das ruins. Por isso, evoluíram para usar o olfato como ferramenta de proteção.
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