Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de outubro de 2024 · 2 min de leitura ·

Colapso das correntes oceânicas do Atlântico pode perturbar clima global

Colapso das correntes oceânicas do Atlântico pode perturbar clima global

Cientistas climáticos do mundo todo estão em estado de alerta para um possível e “devastador” colapso das grandes correntes do Oceano Atlântico. Essas correntes compõem o sistema conhecido como Circulação Meridional do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês), um fenômeno de enorme escala que inclui a Corrente do Golfo e é responsável pelo transporte de calor essencial para o Hemisfério Norte.

Estudos indicam que a AMOC está desacelerando e, devido ao aquecimento global, pode em breve atingir um ponto de ruptura, o que desestabilizaria o clima da Terra de maneira drástica.

Na segunda-feira (21), conforme noticiado pelo Olhar Digital, 44 oceanógrafos de 15 países publicaram uma carta aberta pedindo ações urgentes diante do enfraquecimento da circulação. Eles alertam que o risco de colapso foi “muito subestimado” e terá “impactos devastadores e irreversíveis” para o mundo.

Entre os assinantes da carta está Stefan Rahmstorf, diretor do departamento de análise do sistema terrestre no Instituto Potsdam de Pesquisa de Impacto Climático, na Alemanha. Em entrevista ao site Live Science, o oceanógrafo explicou a dinâmica da AMOC e seus potenciais efeitos globais.

Segundo ele, ao transportar calor para o norte, esse sistema de correntes oceânicas mantém as temperaturas mais amenas na Europa e controla eventos climáticos importantes. No entanto, evidências paleoclimáticas mostram que, quando o AMOC colapsa, ocorrem mudanças bruscas de temperatura, como o resfriamento de até 20°C próximo à costa da Noruega, causado pela interrupção desse transporte de calor.

Rahmstorf alerta que, embora o último relatório do IPCC estimasse uma baixa probabilidade de colapso da AMOC neste século, estudos recentes indicam o contrário. A AMOC mostra sinais de “alertas precoces” de instabilidade, com flutuações naturais mais intensas, sugerindo que o ponto de inflexão pode estar próximo. Esses indícios preocupam cientistas, que acreditam que a atual modelagem climática subestima a fragilidade do AMOC.

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