Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de outubro de 2024 · 2 min de leitura ·

Restos mortais de estrela revelam detalhes nunca antes observados

Restos mortais de estrela revelam detalhes nunca antes observados

Em 1181, uma estrela brilhou repentinamente na constelação de Cassiopeia, sendo observada por astrônomos da China e do Japão. Essa aparição era, na verdade, uma supernova, uma explosão estelar que iluminou o céu ao longo de seis meses.

Por séculos, cientistas tentaram localizar os restos desse evento até que, em 2013, a astrônoma amadora Dana Patchick identificou uma nebulosa, batizada de Pa 30, como o possível remanescente da explosão.

Dez anos mais tarde, avançando nos estudos sobre a nebulosa Pa 30, cientistas detectaram estruturas em forma de filamentos, parecendo “dentes-de-leão” flutuando nos restos da supernova. Os resultados foram publicados no periódico científico The Astrophysical Journal Letters

Utilizando um espectrógrafo localizado a 4.000 metros de altitude, no Observatório WM Keck, no Havaí, eles mapearam esses filamentos em 3D e mediram sua velocidade de expansão a partir do ponto da explosão. Em um comunicado, o professor Christopher Martin, do Instituto da Califórnia (Caltech), que liderou a equipe que desenvolveu o instrumento, enalteceu a qualidade dos dados obtidos.

“Uma imagem padrão do remanescente de supernova seria como uma foto estática de uma exibição de fogos de artifício”, explicou Martn, destacando que a nova tecnologia “nos dá algo mais parecido com um ‘filme’, já que podemos medir o movimento das brasas da explosão à medida que elas saem da explosão central”.

A supernova de 1181 ocorreu quando uma anã branca explodiu de forma atípica, deixando uma “estrela zumbi” como remanescente. Esse fenômeno, conhecido como supernova do Tipo Iax, é mais fraco do que explosões estelares comuns, o que coincide com relatos históricos. 

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