
Em uma pequena ilha rochosa no arquipélago de Koster, na Suécia, cientistas acompanharam a evolução de caracóis marinhos no decorrer de 30 anos – e os resultados foram publicados este mês na revista Science Advances.
Após uma proliferação de algas tóxicas no local devastar toda a espécie Littorina saxatilis em 1988, pesquisadores conseguiram reintroduzir esses animais, criando uma oportunidade inédita de observar a evolução em tempo real.
Iniciado pela ecologista Kerstin Johannesson, da Universidade de Gotemburgo, esse experimento permitiu que cientistas do Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria (ISTA) e da Universidade Norueguesa do Norte investigassem como uma espécie pode readaptar-se ao ambiente original, mesmo após mudanças significativas.
O arquipélago de Koster abriga duas variedades principais de L. saxatilis, adaptadas a diferentes condições: o ecótipo “Crab” (caranguejo), adequado para sobreviver à predação de caranguejos, e o ecótipo “Wave” (caracóis de onda), moldado para resistir ao impacto das ondas.
Enquanto os caracóis do primeiro tipo possuem conchas maiores e mais espessas, abrindo-se de maneira estreita para dificultar o ataque dos predadores, os outros são menores, com conchas leves e padrões específicos que os protegem do impacto constante do mar.
Em um comunicado, a equipe explica que a proliferação de algas de 1988 eliminou completamente os caracóis dos recifes menores, onde antes predominavam os ecótipos “Wave”. Quatro anos depois, Johannesson decidiu reintroduzir uma população do ecótipo “Crab” em um desses recifes, esperando que os caracóis se adaptassem ao novo ambiente marinho. Em cerca de uma geração anual, os caracóis começaram a se transformar, sinalizando uma adaptação que intriga os cientistas até hoje.
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