Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de novembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Rajadas rápidas de rádio: estudo pode ter descoberto a origem do fenômeno

Rajadas rápidas de rádio: estudo pode ter descoberto a origem do fenômeno

Um artigo publicado nesta quarta-feira (6) na revista Nature traz novas pistas sobre as origens das rajadas rápidas de rádio (FRBs), emissões cósmicas misteriosas que nascem de pontos distantes do Universo e duram de um milissegundo a alguns segundos. 

Liderada pelo astrônomo Kritti Sharma, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA, a pesquisa revela que as FRBs são mais frequentemente desencadeadas em galáxias grandes, com populações de estrelas jovens.

As FRBs são emissões de rádio de altíssima energia que surgem de galáxias a milhões ou bilhões de anos-luz de distância. Difíceis de prever, geralmente elas aparecem uma única vez, o que torna sua detecção e rastreamento desafiadores. 

No entanto, a ciência tem avançado na captura desses sinais com o uso de novas tecnologias, como o Deep Synoptic Array, um interferômetro de rádio instalado no Rádio Observatório de Owens Valley, na Califórnia, que permite mapear as galáxias hospedeiras e localizar a origem das rajadas.

Quando o fenômeno foi detectado pela primeira vez na Via Láctea, em 2020, os cientistas o associaram a um magnetar, uma estrela de nêutrons com um campo magnético até mil vezes mais forte que o de uma estrela de nêutrons comum. Os magnetares, que surgem após o colapso de supernovas, podem gerar rajadas de rádio devido à interação entre o intenso campo magnético e a gravidade da estrela. 

O estudo de Sharma e sua equipe analisou 30 galáxias hospedeiras de FRBs e revelou que, em grande parte, as rajadas provêm de galáxias massivas e com estrelas jovens. Essa descoberta corrobora a teoria de que os magnetares, cujas estrelas progenitoras têm uma vida curta, são responsáveis pela emissão das FRBs. Isso ocorre porque essas estrelas massivas, que geram magnetares, se formam principalmente em ambientes com muitas estrelas jovens, o que ajuda a explicar a prevalência das FRBs nessas galáxias.

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