Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de novembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Emissões de gases do Brasil sofrem maior queda em 15 anos

Emissões de gases do Brasil sofrem maior queda em 15 anos

As emissões de gases de efeito estufa do Brasil caíram significativamente em 2023, totalizando 2,3 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e), uma redução de 12% em comparação ao ano anterior. Essa queda representa o maior declínio percentual desde 2009, marcando um avanço importante para o país no cumprimento de suas metas climáticas para 2025.

O levantamento, feito pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG), aponta que a diminuição nas emissões foi puxada principalmente pela redução do desmatamento na Amazônia. A retomada de políticas de controle ambiental, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), foi um dos fatores decisivos para essa mudança.

A agropecuária, responsável por 28% das emissões totais, registrou seu quarto recorde consecutivo em emissões, crescendo 2,2% em 2023. Grande parte dessas emissões origina-se da fermentação entérica, especialmente dos bovinos, que liberaram 405 milhões de toneladas de CO₂ e, ultrapassando as emissões totais da Itália. Somando-se as emissões por uso da terra, a agropecuária representa 74% das emissões brasileiras, mantendo-se como o maior setor emissor.

As emissões de energia subiram 1,1% devido ao aumento do uso de diesel, gasolina e querosene. O transporte, que alcançou seu maior nível histórico de emissões, registrou um aumento de 3,2%, embora o consumo recorde de biodiesel tenha moderado esse crescimento. Em 2023, o biodiesel passou a compor 12% da mistura com o diesel de petróleo, uma elevação em relação aos 10% registrados em 2022.

O SEEG incluiu em seus dados de 2023 as emissões geradas por queimadas, um fator cada vez mais relevante no contexto da crise climática. Emissões de metano e óxido nitroso provenientes da queima de pastagens foram monitoradas pela primeira vez. Já o setor de resíduos, cujas emissões cresceram 1% no último ano, é pressionado pelo crescimento populacional e pela necessidade de melhorias em compostagem e reciclagem.

David Tsai, coordenador do SEEG, destacou a importância da redução das emissões, mas alertou para a dependência do país em relação ao controle do desmatamento na Amazônia.

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