
Fragmentos de ossos humanos recuperados em Pompeia, na Itália, trouxeram novos detalhes sobre as pessoas que perderam suas vidas na erupção do Monte Vesúvio, em 79 d.C. A análise de DNA, publicada recentemente na Current Biology, desafia antigos conceitos sobre a identidade e os vínculos familiares entre as vítimas.
As amostras foram obtidas de fragmentos ósseos contidos nos famosos moldes de gesso criados a partir das cavidades deixadas pelos corpos. Estes moldes, preenchidos com gesso líquido nas escavações realizadas desde o século XVIII, preservam traços das pessoas que morreram durante o evento catastrófico, e muitos ainda contêm ossos das vítimas.
Em um projeto recente para restaurar 86 desses moldes, os pesquisadores conseguiram coletar fragmentos de cinco indivíduos e extrair seus genomas, completos ou parciais.
De acordo com o arqueólogo Steven Ellis, da Universidade de Cincinnati, grande parte das narrativas que envolvem os moldes de Pompeia são simplificações destinadas a atrair o interesse público, sem respaldo científico detalhado. Ele ressalta que essas figuras em gesso são um símbolo poderoso da tragédia que assola a história de Pompeia, embora suas interpretações anteriores sejam imprecisas.
A análise genética trouxe à tona outra informação importante: a população de Pompeia era composta por pessoas geneticamente diversas, com descendentes de imigrantes da região leste do Mediterrâneo. “Sabíamos disso pelas joias que usavam, pelos cultos que seguiam e pelas decorações nas casas”, afirma Ellis.
Contudo, a confirmação através do DNA diretamente dos moldes corporais reforça esta visão, fornecendo evidências mais sólidas sobre a composição cultural e genética da antiga cidade.
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