
Astrônomos registraram uma colisão colossal entre duas estrelas de nêutrons, que resultou na formação do menor buraco negro já observado e na liberação de metais preciosos como ouro, prata e urânio. A descoberta foi relatada em um artigo publicado na revista Astronomy & Astrophysics.
O cenário do impacto foi a galáxia NGC 4993, que fica a cerca de 130 milhões de anos-luz da Terra. Detectado com auxílio de diversos instrumentos, como o Telescópio Espacial Hubble, o evento fornece perspectivas cruciais sobre as fusões de estrelas de nêutrons e a origem dos elementos mais pesados do que o ferro, que não podem ser formados em estrelas comuns.
Quando duas estrelas de nêutrons colidem, ocorre uma explosão chamada “quilonova”, que libera uma quantidade enorme de luz – centenas de milhões de vezes mais brilhante que o Sol.
Com o choque, os elementos pesados são forjados a partir dos nêutrons e elétrons, proporcionando aos cientistas uma visão única do nascimento dos átomos e das condições extremas do Universo primitivo.
Liderado por pesquisadores do Centro Cosmic DAWN do Instituto Niels Bohr, na Dinamarca, o estudo investigou como a matéria se comporta em uma quilonova. “Estamos testemunhando o momento em que núcleos e elétrons se unem para formar átomos”, disse Rasmus Damgaard, membro da equipe, em um comunicado. “Pela primeira vez, conseguimos medir a temperatura e observar a microfísica da explosão”.
Estrelas de nêutrons são formadas quando uma estrela massiva perde todo seu combustível e se contrai, formando um núcleo denso e pesado. As colisões das estrelas de nêutrons ocorrem em sistemas binários, onde duas delas orbitam uma à outra e geram ondas gravitacionais – ondulações no espaço-tempo que se propagam pelo Universo.
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