Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de novembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Túnel interestelar em direção à constelação de Centauro é descoberto

Túnel interestelar em direção à constelação de Centauro é descoberto

Astrônomos, utilizando dados do levantamento eROSITA All-Sky Survey, identificaram um curioso “túnel interestelar” que se estende em direção à constelação de Centauro. Segundo os pesquisadores, esse “túnel” pode conectar a bolha local do nosso Sistema Solar a uma superbolha vizinha, um avanço que revela mais sobre o ambiente cósmico próximo.

Nosso Sistema Solar está situado em uma área do espaço conhecida como Bolha Quente Local (LHB, na sigla em inglês), caracterizada por gás quente de densidade muito baixa. Essa bolha, que emite raios X, possui uma temperatura de aproximadamente 1 milhão de graus Kelvin e densidade inferior a 0,01 partículas por cm³, estendendo-se por cerca de mil anos-luz ao redor do Sistema Solar.

Cientistas na Alemanha, utilizando dados do telescópio de raios X eROSITA, conseguiram criar um mapa tridimensional dessa bolha e, durante o estudo, descobriram algo inesperado: um túnel interestelar que conecta a Bolha Quente Local a outra região do espaço na direção da constelação de Centauro. O estudo foi publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics.

Além do túnel, os pesquisadores detectaram gradientes de temperatura significativos na Bolha Quente Local. Segundo Yeung, “a crença atual é de que isso se deve às explosões de supernovas mais recentes que expandiram a LHB”. Essas explosões poderiam ter aquecido o gás de maneira assimétrica, dependendo da localização dos eventos ou das variações de densidade na região.

Evidências como a presença do isótopo ferro-60 na crosta marinha profunda — que só pode ser gerado em supernovas — fortalecem a hipótese de que essas explosões ocorreram nos últimos milhões de anos, contribuindo para a formação e características atuais da bolha.

O telescópio eROSITA, lançado em 2019, foi fundamental para a descoberta. Localizado a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, ele evita a contaminação de raios X da geocorona terrestre, permitindo um mapeamento preciso da Bolha Quente Local. Além disso, o telescópio observa todo o céu em raios X a cada seis meses, garantindo um panorama abrangente da nossa vizinhança espacial.

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