
Um novo estudo sugere que a ideia de construir uma “cortina” flutuante de 100 metros de altura ao longo de 80 quilômetros de camadas de gelo na Antártida Ocidental pode ser o estopim para uma crise diplomática nunca vista antes.
O plano foi apresentado no início do ano em artigo na Nature e avaliado recentemente por pesquisadores da Escola de Pós-Graduação em Estudos de Cooperação Internacional da Universidade de Kobe (Japão).
O megaprojeto de geoengenharia foi apresentado por uma equipe finlandesa com o objetivo de salvar a camada de gelo do derretimento, que pode elevar o nível do mar em até cinco metros. A ideia é impedir que a água subterrânea quente atinja as geleiras.
No novo artigo, os analistas consideram três aspectos políticos que, segundo eles, foram “completamente ignorados ou perigosamente minimizados” da proposta de caráter científico: autoridade, soberania e segurança.
“No clima atual, com crescente rivalidade internacional e competição estratégica de grande potência, seria uma conquista diplomática extremamente improvável garantir o nível de cooperação internacional necessário para as infraestruturas de geoengenharia glacial propostas”, diz o estudo.
“Cada vez mais, no entanto, o ATS isolado e ‘excepcional’ está sendo pressionado por novos desafios regulatórios emergentes, como aqueles relacionados à bioprospecção ou turismo, bem como pela crescente competição de grandes potências em todo o mundo, enquanto a diplomacia antártica se tornou bastante lenta.”
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