Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de novembro de 2024 · 1 min de leitura ·

Descoberta de dois bilhões de anos revela “reator nuclear natural” da Terra; entenda

Descoberta de dois bilhões de anos revela "reator nuclear natural" da Terra; entenda

Você sabia que, bem antes de começarmos a criar os reatores nucleares para nos prover energia, a Terra já tinha sua própria versão natural?

Em 1972, cientistas que analisaram amostras de minério de urânio de Oklo (Gabão) notaram quantia incomum de urânio-235, isótopo essencial para a fissão nuclear. Ele estava em menor quantidade do que deveria ter. Essa anomalia intrigou os pesquisadores, pois a composição isotópica do urânio é tipicamente consistente em diferentes depósitos.

“Todo o urânio natural hoje contém 0,720% de U-235”, explica a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). “Mas aquele pedaço de rocha de Oklo continha apenas 0,717%.”

Nos dias de hoje, as condições para tais reações são bem improváveis, sendo que há uma abundância muito maior de urânio 235 por lá.

Sem contar que o local precisava ser preenchido com água subterrânea, de modo a sustentar a reação, da mesma forma como a água é utilizada nos reatores atuais e fabricados por nós. Isso é feito para desacelerar nêutrons produzidos pela fissão nuclear.

Conforme a água esquentava e escapava como vapor, os nêutrons acabavam não sendo desacelerados e escapavam sem mais reação e interrompia a fissão antes que a água esfriasse e vazasse nos depósitos.

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