
Plutão, o ex-planeta, tem história complexa que reflete a evolução de nossa compreensão do Sistema Solar. Descoberto em 1930, após décadas de buscas, ele reinou como o nono planeta por quase 76 anos antes de ser rebaixado à categoria de planeta anão.
A saga de Plutão começou com as anomalias observadas na órbita de Urano. Astrônomos do século XIX notaram que o gigante gasoso não se comportava como previsto pelas leis de Newton. A explicação? Um planeta desconhecido, além de Urano, exercia influência gravitacional. Essa hipótese levou à descoberta de Netuno.
Em 2006, a União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) estabeleceu novos critérios para a classificação de um planeta. Um dos critérios era que o objeto deveria ter “limpado sua vizinhança orbital”. Plutão, compartilhando sua órbita com outros objetos, não atendia a esse requisito. Assim, foi reclassificado como planeta anão.
A órbita de Plutão é peculiar, sendo altamente elíptica e inclinada em relação ao plano orbital dos outros planetas. “A órbita oval de Plutão, com 248 anos de duração, pode levá-lo a até 49,3 unidades astronômicas (UA) do Sol e a até 30 UA”, explica a NASA.
Como pontua o IFLScience, os dias em Plutão demoram 153 horas, mais ou menos, para acabar. Sua órbita leva 248 anos terrestres. Portanto, nem você e nem eu estaremos vivos para vê-lo completar sua primeira órbita completa após ter sido descoberto. A não ser que, até lá, consigamos aumentar significativamente nossa expectativa de vida. Afinal, os astrônomos estimam que isso ocorrerá em 23 de março de 2178.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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