
Restos mortais de um bebê enterrado há 13 mil anos em uma área onde hoje é Montana, no norte dos EUA, revelaram que o povo Clovis Ocidental tinha uma dieta essencialmente baseada na carne de mamute.
De acordo com um artigo publicado nesta quarta-feira (4) na revista Science Advances, que descreve a descoberta, esses animais eram a principal fonte de proteína para a sobrevivência dos primeiros ameríndios.
Batizado de Anzick-1, o bebê morreu com cerca de 18 meses, ainda na fase de amamentação. Isso permitiu que os pesquisadores identificassem a dieta da mãe por meio da análise de radioisótopos (átomos de um elemento com diferentes variações nucleares) presentes nos ossos da criança. Esses átomos deixaram uma “impressão digital isotópica” indicando que cerca de 40% da alimentação da mãe era composta por carne de mamute.
Outros grandes herbívoros, como alces (Cervus canadensis) e bisões (Bison bison), também faziam parte da dieta, mas em menor proporção. A pesquisa desafia teorias anteriores que sugeriam que os Clovis se alimentavam principalmente de pequenos animais, mostrando que eles priorizavam a caça de megafauna para garantir a subsistência.
“Os Clovis Ocidentais se especializaram em caçar mamutes e outros grandes herbívoros, em vez de depender de presas menores”, destacaram os autores do estudo. Essa competência fornecia uma vantagem importante em um ambiente instável, como o da região durante a última era glacial.
A carne de mamute era rica em gordura e proteína, elementos essenciais para a sobrevivência em condições adversas. Além disso, esses animais migravam por longas distâncias, oferecendo uma fonte estável de alimento em diferentes regiões. Essa estratégia permitiu que o povo Clovis se expandisse rapidamente pela América do Norte.
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