Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de dezembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Existe a chance de uma supernova destruir a Terra?

Existe a chance de uma supernova destruir a Terra?

Quando Betelgeuse, uma gigante vermelha na constelação de Órion, explodir em uma supernova, o brilho desse evento poderá superar o de qualquer planeta e ser comparável ao da lua cheia, tornando-se visível mesmo durante o dia. Mas, isso representa algum perigo para a Terra?

Localizada a cerca de 650 anos-luz, Betelgeuse está (felizmente) longe demais para causar danos. No entanto, supernovas mais próximas podem significar uma ameaça real ao Sistema Solar e, consequentemente, ao nosso planeta.

De acordo com Paul Sutter, astrofísico do Flatiron Institute, em Nova York, nos EUA, em um artigo publicado no site Space.com, para que uma supernova seja perigosa para a Terra, ela precisaria ocorrer a uma distância de 25 a 30 anos-luz. Nesse intervalo, os efeitos destrutivos incluem radiação de alta energia e partículas subatômicas aceleradas, que podem desintegrar moléculas de nitrogênio e oxigênio da atmosfera. 

Esses elementos, ao se recombinarem, formam óxidos de nitrogênio, que comprometem a camada de ozônio. Sem essa proteção, a radiação ultravioleta do Sol atingiria diretamente a superfície do planeta, causando danos significativos à vida. Microrganismos fotossintéticos, como as algas, que são a base de muitas cadeias alimentares, seriam gravemente afetados, levando a um colapso ecológico e possíveis extinções em massa.

Outro efeito perigoso de uma supernova são os raios cósmicos, partículas carregadas que se deslocam quase à velocidade da luz. Essas partículas não só intensificam os danos à atmosfera, como também podem afetar diretamente organismos vivos, aumentando a exposição à radiação. 

Felizmente, no momento, não há estrelas próximas o suficiente para oferecer esse tipo de risco. Espiga (Spica), na constelação de Virgem, está a 250 anos-luz, e outra candidata, a anã branca IK Pegasi, está a 150 anos-luz – ambas a distâncias consideradas seguras.

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