Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de dezembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Cometas escuros podem ter trazido vida para a Terra

Cometas escuros podem ter trazido vida para a Terra

Um artigo publicado nesta segunda-feira (9) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences revela que os chamados cometas escuros podem ser divididos em duas categorias principais: objetos grandes, no Sistema Solar exterior, e os menores, mais próximos do Sol. 

Embora o nome possa sugerir ligação com a matéria escura, na verdade, esses corpos são diferentes. São objetos sem cauda visível, mas com aceleração orbital semelhante à dos cometas tradicionais. 

Historicamente, a distinção entre cometas e asteroides parecia clara. No entanto, os cometas escuros desafiam essa categorização, ocupando um espaço intermediário. Estudos recentes indicam que esses corpos podem ser mais comuns do que asteroides convencionais ou cometas visíveis na região próxima à Terra. 

Enquanto cometas geralmente liberam gás ao se aproximarem do Sol, criando suas características caudas, os cometas escuros não apresentam esse comportamento, mas ainda exibem aceleração não gravitacional.

Cometas são compostos por gelo e poeira, o que causa desgaseificação ao se aquecerem, alterando suas órbitas levemente. Já os asteroides, por serem essencialmente rochosos, não passam por esse processo. Assim, a descoberta de objetos que aceleram sem desgaseificação intrigou cientistas. Esses corpos foram apelidados de cometas escuros, um grupo que apresenta características híbridas, desafiando classificações binárias.

Darryl Seligman, astrofísico da Universidade Estadual de Michigan, nos EUA, liderou uma equipe que dobrou o número de cometas escuros conhecidos de sete para 14. Analisando propriedades como refletividade e órbitas, os pesquisadores identificaram dois subgrupos. Os menores, com menos de 100 metros, possuem órbitas circulares e estão próximos ao cinturão principal de asteroides. Já os maiores, com mais de 100 metros, têm trajetórias alongadas, semelhantes às dos cometas da família de Júpiter.

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