
No Grande Colisor de Hádrons (LHC) do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN, na sigla em francês), ocorrem colisões de partículas que recriam, por um breve momento, as condições do Universo logo após o Big Bang. Durante esses eventos, os físicos buscam descobrir partículas exóticas, que podem revelar os limites da física conhecida.
Recentemente, um grupo de pesquisadores anunciou uma descoberta impressionante: evidências de um novo tipo de antimatéria, o anti-hiperhélio-4.
Antes de detalhar essa descoberta, é importante entender alguns conceitos. O hélio, por exemplo, é o segundo elemento mais leve e mais abundante no Universo, composto por um núcleo com dois prótons e dois nêutrons.
Enquanto os elétrons, que giram ao redor do núcleo, são partículas fundamentais (não compostas por outras partículas), prótons e nêutrons são feitos de quarks. Um próton tem dois quarks “up” (positivos) e um “down” (negativo), enquanto um nêutron possui um quark positivo e dois negativos. Existem outros tipos de quarks, como o “strange” (estranho), que é mais pesado que o negativo.
Quando três quarks se combinam, formam uma partícula chamada híperon, que é similar ao próton e ao nêutron, mas mais pesada. O hiperélio-4, que os pesquisadores tentaram identificar, é uma partícula composta por dois prótons, um nêutron e um híperon lambda, que é formado por um quark “up“, um “down” e um “strange“.
A descoberta recente não foi do hiperélio-4, mas sim da versão antimatéria: o anti-hiperhélio-4. Esse núcleo é formado por dois antiprótons, um antinêutron e um antilambda.
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