
Algumas espécies podem viver milhares de anos. Mas uma em especial chama a atenção dos cientistas. As esponjas-do-mar Monorhaphis chuni vivem nas profundezas da Antártida e podem sobreviver por mais de 11 mil anos.
De acordo com os pesquisadores, estes animais (sim, eles não são plantas) ficam enrolados ao redor de uma grande espícula, uma espécie de espinho, e formam um cilindro contínuo. Este mecanismo é responsável por proteger os corpos deles.
Além da idade, o esqueleto guardou informações muito importantes sobre o clima ao longo da vida do animal. Estes dados foram analisados a partir dos padrões de crescimento do cilindro de dióxido de silicone.
Sob um microscópio de elétrons, os pesquisadores identificaram quatro áreas onde as lamelas da esponja-do-mar cresceram irregularmente. Isso indica que seu crescimento ocorreu em épocas de temperatura da água crescente, como, por exemplo, durante a erupção de um vulcão submarino.
Como o espécime tinha uma idade muito avançada, a esponja-do-mar revelou dados sobre o clima do passado. Segundo os cientistas, as temperaturas saltaram rapidamente ao menos uma vez no último milênio, passando de menos de 2ºC para entre 6ºC e 10ºC graças. Este aumento de temperatura foi causado por erupções submarinas, algo desconhecido até então.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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