Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de dezembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Círculo bizarro de rádio descoberto há pouco tempo ganha subtipo menor

Círculo bizarro de rádio descoberto há pouco tempo ganha subtipo menor

Há quatro anos, conforme noticiado pelo Olhar Digital, cientistas descobriram uma nova classe de objetos astronômicos, batizados de Odd Radio Circles (ORCs). Agora, esse grupo ganhou um novo integrante: o ORC J0219-0505. 

Menor e mais fraco que os anteriores, ele foi detectado por meio de uma extensiva observação de uma pequena região do céu, sugerindo que muitos outros podem estar aguardando descobertas em áreas ainda não estudadas com o mesmo detalhamento.

A descoberta dos ORCs foi possível graças aos avanços nos radiotelescópios, que vêm revelando objetos e fenômenos nunca antes observados. Quando os primeiros ORCs foram anunciados em 2020, os astrônomos suspeitaram inicialmente de falhas nos equipamentos, tamanha era a novidade. Essas estruturas, grandes e quase perfeitamente circulares, emitem sinais de rádio que desafiam explicações convencionais.

O que mais intriga os cientistas é o tamanho colossal dos ORCs. As cinco primeiras descobertas têm diâmetros entre um e 1,5 milhão de anos-luz, o que faz delas alguns dos maiores objetos conhecidos no Universo. O mais recente, ORC J0219-0505, é relativamente pequeno, com cerca de 370 mil anos-luz de diâmetro, mas ainda assim é mais que o dobro do tamanho da galáxia central que abriga, semelhante à Via Láctea.

Os ORCs são esferas que envolvem galáxias centrais, formadas por algum tipo de evento catastrófico ocorrido há aproximadamente um bilhão de anos. Hipóteses para suas origens incluem a fusão de buracos negros supermassivos, colisões entre galáxias ou a ação combinada de várias supernovas liberando enormes quantidades de gás. Esses processos poderiam criar ondas de choque que aceleram elétrons, produzindo as emissões de rádio observadas.

Embora anteriormente o professor Ray Norris, da Organização de Ciência e Pesquisa Industrial da Commonwealth (CSIRO), na Austrália, defendesse a teoria de fusão de buracos negros, ele admitiu ao site IFLScience que novos dados complicam essa explicação. 

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