Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de dezembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Onda de calor quase dizimou espécie marinha, revela estudo

Onda de calor quase dizimou espécie marinha, revela estudo

Aves marinhas “parentes” dos pinguins sempre foram comuns no Alasca. Chamada de airo-comum (Uria aalge), a espécie mergulhava em águas geladas em busca de peixes e fazia ninhos em colônias movimentadas. No entanto, tudo isso mudou.

Um grupo de cientistas descobriu que uma onda de calor marinha brutal matou cerca de quatro milhões de animais da espécie. Conhecido como “Blob”, o fenômeno climático durou cerca de dois anos, entre 2014 e 2016.

O trabalho aponta que pelo menos metade da população da espécie simplesmente desapareceu no Alasca. No leste do Mar de Bering, as perdas chegaram a incríveis 75%. Estes números são até oito vezes maiores do que as estimativas iniciais dos cientistas, fazendo deste um dos maiores eventos de mortalidade de animais selvagens de uma única espécie já documentados.

Os pesquisadores destacam que as mortes foram aproximadamente quinze vezes maiores do que as de aves marinhas vítimas do derramamento de óleo do Exxon Valdez, em 1989. Este é frequentemente descrito como um desastre ambiental de proporções épicas.

Ainda segundo os cientistas, mesmo sete anos após a onda de calor, ainda não há sinais de recuperação dos animais. O principal temor é que o ecossistema da região possa não ser mais capaz de sustentar populações tão grandes da espécie, o que vai deixar impactos duradouros para a vida marinha.

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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