Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de dezembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Estrelas dançam em harmonia perigosa perto do buraco negro central da Via Láctea

Estrelas dançam em harmonia perigosa perto do buraco negro central da Via Láctea

Um artigo publicado esta semana na revista Nature Communications revelou uma descoberta inédita nos arredores do Sagitário A*, o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. 

Segundo o estudo, apesar de sua relativa tranquilidade para os padrões de buracos negros, o ambiente em seu entorno é repleto de fenômenos notáveis, como a presença de inúmeras estrelas. Pela primeira vez, foi detectado um sistema binário na região, com duas estrelas orbitando uma à outra.

O sistema, chamado D9, faz parte do aglomerado S, que reúne estrelas que circulam o buraco negro. Durante a análise, os pesquisadores investigaram uma classe peculiar de corpos conhecida como objetos G, que parecem nuvens de gás e poeira, mas se comportam como estrelas. 

Foi entre esses dados que a equipe encontrou evidências claras de que D9 é composto por duas estrelas jovens: uma com 2,8 vezes a massa do Sol e outra com 0,73 vezes. Elas orbitam uma à outra em 372 dias.

“Inicialmente, pensei que minha análise estava errada, mas padrões consistentes ao longo de 15 anos confirmaram a descoberta”, explicou Florian Peißker, pesquisador da Universidade de Colônia, na Alemanha, e autor principal do estudo. “Essa é a primeira binária identificada no aglomerado S, uma descoberta que mostra que buracos negros não são tão destrutivos quanto pensávamos”.

Utilizando o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, os cientistas estimaram que D9 é um sistema estelar jovem, com aproximadamente 2,7 milhões de anos. Segundo Michal Zajaček, coautor do estudo, há sinais de gás e poeira em torno das estrelas, sugerindo que elas se formaram próximas ao buraco negro supermassivo.

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