
Na internet, ronda há tempos o boato de que o vidro seria um líquido, mas que se move muito devagar para ser percebido assim. Geralmente acompanhado desse “fato” está o argumento de que os vitrais em igrejas antigas são mais grossos na parte inferior, sendo este o resultado da acumulação do fluido devido à gravidade.
No entanto, isso não é verdade. O vidro pode ter muito em comum com os líquidos, mas também é próximo dos sólidos. Mas afinal, o que ele realmente é?
Existem diversos tipos de vidro, mas o mais fácil de se encontrar é o composto de dióxido de silício. Quando a areia de quartzo (SiO₂) é aquecida o suficiente, ela se transforma em líquido. Nesse estado, as moléculas são livres para fluir dentro do material.
Porém, se resfriarem essa substância rápido o suficiente, ao contrário de metais e outros sólidos, ela não formará uma estrutura cristalina organizada. Na verdade, sua viscosidade vai aumentar e o aumento dessa propriedade tende a impedir a cristalização.
“Se a viscosidade aumentar o suficiente à medida que é resfriado ainda mais, pode nunca cristalizar. Ela aumenta rápida e continuamente, formando um xarope espesso e, eventualmente, um sólido amorfo”, explica Philip Gibbs para a Universidade da Califórnia, em Riverside.
Nesse caso, as moléculas têm um arranjo desordenado, mas coesão o suficiente para manter alguma rigidez. Com isso, o vidro tem propriedades semelhantes às de líquidos e sólidos, mas não flui como o primeiro, conforme afirma o popular boato.
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