Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de janeiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Samambaias evoluem, sim – só que ‘para trás’, diz pesquisa

Samambaias evoluem, sim – só que 'para trás', diz pesquisa

A evolução da vida na Terra é frequentemente mal interpretada como um processo linear em direção a organismos “mais elevados” ou “melhores“. Na verdade, a evolução não tem linha de chegada nem objetivo final. E um exemplo disso aparece num estudo recente. A pesquisa mostrou que samambaias frequentemente evoluem “para trás”.

Enquanto muitas plantas não retornam a formas mais simples após evoluírem estruturas reprodutivas como sementes e flores, as samambaias possuem flexibilidade única. É o que explica Jacob Suissa, coautor do estudo e professor-assistente na universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, em artigo publicado no The Conversation.

A noção equivocada sobre evolução é exemplificada pela famosa ilustração The Road to Homo Sapiens, de Rudolph Zallinger – aquela que mostra a evolução do Homem a partir do macaco (veja clicando aqui). Essa ideia linear, conhecida como ortogênese ou “evolução progressiva“, também influenciou teorias paleontológicas e a compreensão da evolução de plantas.

Contudo, a evolução é guiada por seleção natural em contextos específicos. E, às vezes, por derivação genética sem direção definida. É aí que entram as samambaias. Ao contrário do modelo unidirecional observado em outras plantas, as samambaias frequentemente revertem a especialização reprodutiva.

A evolução das plantas vasculares demonstra a especialização gradual de estruturas – desde os telomos, que combinavam fotossíntese e reprodução, até flores altamente especializadas. Essa progressão é vista como um padrão universal em plantas. Mas as samambaias desafiam essa ideia.

A flexibilidade única das samambaias se manifesta quando elas alternam entre monomorfismo (uma única folha desempenha múltiplas funções) e dimorfismo (folhas distintas desempenham funções separadas).

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