
O chamado urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), que habita quase todo o continente americano, possui um mecanismo de defesa bem inesperado: para afastar predadores como águias e falcões, a ave consegue vomitar ácido a uma distância de até três metros!
Quando se sentem ameaçados, os urubus-de-cabeça-vermelha regurgitam o ácido gástrico de seus estômagos para queimar a pele e os olhos de predadores. Para se ter uma ideia, a substância é tão forte quanto ácido de bateria, e 100 vezes mais potente do que o ácido estomacal dos seres humanos, de acordo com o Live Science.
Ao mesmo tempo em que o ácido permite neutralizar as toxinas da carne de animais em decomposição – que serve como alimento aos urubus -, a regurgitação também ajuda a reduzir o peso das aves para que escapem voando de predadores com mais rapidez e facilidade.
O ácido estomacal não é o único fluido útil no corpo dos urubus-de-cabeça-vermelha. Além de usar suas fezes e urina para manter os pés refrescados em dias quentes, as aves também defecam em suas pernas para se livrar de bactérias após pisar em carcaças – novamente, graças às propriedades antissépticas de seus sucos digestivos.
Graças aos animais necrófagos (ou seja, que se alimentam de carcaças) como o urubu-de-cabeça-vermelha, restos de animais são consumidos antes que se decomponham, evitando a emissão de dezenas de milhões de toneladas de carbono anualmente – de acordo com um estudo publicado na Ecosystem Services.
Ana Julia Pilato é formada em Jornalismo pela Universidade São Judas (USJT). Já trabalhou como copywriter e social media. Tem dois gatos e adora filmes, séries, ciência e crochê.
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