Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Mistério no oceano: inflamação cerebral mata tubarões-brancos e intriga especialistas

Mistério no oceano: inflamação cerebral mata tubarões-brancos e intriga especialistas

Por mais de três décadas, cientistas canadenses monitoraram a vida marinha do Atlântico Norte sem nunca encontrar um tubarão-branco morto. No entanto, em apenas um ano, cinco carcaças foram descobertas, levantando um mistério preocupante. 

Casos semelhantes já haviam ocorrido nos EUA, totalizando nove tubarões encontrados sem sinais aparentes de ferimentos ou desnutrição. A causa foi revelada após análises microscópicas: meningoencefalite, uma inflamação do cérebro e das membranas que o envolvem, afetando a função cognitiva dos animais.

A inflamação cerebral pode comprometer a capacidade dos tubarões de nadar e se alimentar corretamente, tornando-os mais propensos a encalhar. Ocorre que a meningoencefalite não é uma doença propriamente dita, mas um sintoma. E os cientistas querem saber o que está causando esse quadro.

Em entrevista ao site IFLScience, Harley Newton, cientista-chefe e veterinária da OCEARCH, organização conhecida pelo monitoramento de tubarões, destacou a falta de conhecimento sobre doenças naturais em tubarões e raias selvagens. “Encontrar vários indivíduos da mesma espécie, com sinais semelhantes de inflamação cerebral, ao longo de alguns anos, é algo preocupante”, afirmou, ponderando, no entanto, que sem um panorama mais amplo sobre a saúde dos tubarões é difícil medir a real gravidade do problema.

Foi ela quem primeiro identificou a meningoencefalite em um tubarão-branco em 2022, analisando amostras de tecido cerebral de um animal encontrado em Long Island, Nova York. Desde então, outros casos surgiram em locais distantes, como a Ilha do Príncipe Edward, no Canadá, e a Carolina do Sul, nos EUA. E a origem da doença continua desconhecida.

O surgimento dessa condição representa um novo desafio para os grandes tubarões-brancos, que já enfrentam riscos devido à pesca excessiva e à degradação do ambiente marinho. Segundo David Shiffman, estudante de pós-graduação em ecologia e conservação de tubarões, cerca de um terço das espécies conhecidas de tubarões e seus parentes – como raias e quimeras – estão ameaçados de extinção, conforme avaliado pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Compartilhe