Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Como um rifle Kalashnikov ajudou nas pesquisas em Chernobyl

Como um rifle Kalashnikov ajudou nas pesquisas em Chernobyl

No coração do Reator 4 de Chernobyl, palco do maior desastre nuclear da Europa, repousa uma massa de material derretido conhecida como “Pé de Elefante”. Essa relíquia radioativa, formada por uma mistura de combustível nuclear, concreto, areia e outros materiais, é um testemunho silencioso da força da natureza e da fragilidade da tecnologia.

Nos primeiros dias após o desastre de 1986, o “Pé de Elefante” emitia níveis de radiação tão intensos que uma breve exposição seria fatal. A massa incandescente, resultado do superaquecimento e explosão do reator, solidificou-se em uma formação grotesca.

Obter amostras do “Pé de Elefante” para estudo científico era um desafio complexo. No início, a densidade da massa era tão grande que os cientistas precisaram recorrer a um rifle de assalto Kalashnikov para lascar fragmentos.

Essa informação foi confirmada por fontes como o Dr. Boris Burakov, do Instituto de Rádio VG Khlopin, em uma palestra em 2013 (Via: IFL Science).

Em 1996, o especialista nuclear cazaque Artur Korneyev, pioneiro na exploração das ruínas de Chernobyl, capturou a imagem mais icônica do “Pé de Elefante”:

Com o passar dos anos, a radiação do “Pé de Elefante” diminuiu e sua consistência se alterou. Se antes era necessário um rifle para obter amostras, hoje a massa se assemelha mais à areia, como descreveu Maxim Saveliev, do Instituto de Problemas de Segurança de Usinas Nucleares, à Science em 2021.

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