Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Meta do Acordo de Paris deve ficar só no papel, alertam estudos

Meta do Acordo de Paris deve ficar só no papel, alertam estudos

Cada mês quebra o recorde de calor do mês anterior. Isso ocorreu ao longo dos últimos 18 meses. E significa que o planeta Terra tem esquentado sem parar. Agora, dois estudos alertam que o mundo caminha para ultrapassar a meta do Acordo de Paris. Os artigos sobre eles saíram na revista Nature Climate Change na segunda-feira (10).

Em 2015, quase todo os países do mundo concordaram em manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC em comparação a quando humanos não queimavam combustíveis fósseis. Este é o Acordo de Paris, cuja meta é limitar o aquecimento a 1,5ºC. Mas os estudos em questão indicam que ela deve ficar no papel.

A publicação dos artigos ocorre após 2024 ter sido o primeiro ano no qual a média de aquecimento passou o 1,5ºC. E depois do renomado cientista climático James Hansen alertar, num paper, que o aquecimento global deve passar dos 2ºC nas próximas duas décadas.

Os cientistas por trás dos artigos em questão investigaram se o mundo já está em seu primeiro período prolongado de aquecimento de 1,5ºC. A referência é o Acordo de Paris.

O estudo de Alex Cannon, cientista de pesquisa do Environment and Climate Change Canada, apontou que há chance de 60% a 80% de que o limite de Paris já tenha sido ultrapassado. Isso porque ao longo de 12 meses consecutivos a temperatura média do mundo ficou 1,5ºC acima.

O outro artigo, liderado por Emanuele Bevacqua, cientista climático no Helmholtz Centre, na Alemanha, usou dados climáticos do mundo real e modelagem climática. Ao analisar tendências históricas de aquecimento, a pesquisa constata que o primeiro ano a ultrapassar um limite de temperatura ocorre no primeiro período de 20 anos no qual as temperaturas médias atingiram o mesmo limite.

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