
Apesar do vasto conhecimento acumulado sobre a Lua, os cientistas ainda desvendam detalhes de seus primórdios. Novas análises em rochas coletadas pelas missões Apollo indicam que nosso satélite natual se solidificou há cerca de 4,43 bilhões de anos – período que coincide com a formação da Terra como um planeta habitável.
O estudo, liderado pelo pesquisador Nicolas Dauphas, da Universidade de Chicago (EUA), e sua equipe, envolveu a análise das proporções de elementos presentes em amostras lunares. Segundo os pesquisadores, essas medições fornecem vislumbre das primeiras fases da Lua, que teria se formado a partir de imensa massa de magma, resultado da colisão entre dois corpos primitivos do Sistema Solar.
À medida que a proto-Lua resfriava e se cristalizava, suas camadas se separaram. Aproximadamente 99% do oceano de magma lunar solidificou, restando líquido um residual singular denominado KREEP – sigla para potássio (K), elementos de terras raras (REE) e fósforo (P), explica o Universe Today.
Dauphas e sua equipe determinaram que esse KREEP se formou cerca de 140 milhões de anos após o surgimento do Sistema Solar. Embora já identificado nas rochas das missões Apollo, os pesquisadores esperam encontrar vestígios desse reservatório também em amostras da bacia Polo Sul-Aitken, região que, futuramente, será explorada pelos astronautas da missão Artemis. A confirmação dessa hipótese poderá indicar distribuição uniforme do KREEP por toda a superfície lunar.
“Demoramos anos para desenvolver essas técnicas, mas obtivemos resposta extremamente precisa para uma questão que gerava controvérsia há muito tempo”, destacou Dauphas.
Os resultados da pesquisa também revelaram que a cristalização do oceano de magma lunar ocorreu enquanto a Lua era bombardeada por embriões planetários e planetesimais remanescentes – as “sementes” da formação dos planetas, surgidas logo após a consolidação do Sol, há cerca de 4,6 bilhões de anos. Esse bombardeio persistiu mesmo após a formação inicial dos corpos celestes.
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