Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

Pichações inusitadas são descobertas no local da última ceia de Jesus; veja

Pichações inusitadas são descobertas no local da última ceia de Jesus; veja

Pesquisadores encontraram uma série de pichações inéditas nas paredes do Cenáculo de Jerusalém, suposto local onde ocorreu a última ceia de Jesus Cristo. Em um estudo publicado na revista Liber Annuus, a equipe detalhou as gravuras antigas recém-descobertas – incluindo algumas bem inusitadas. 

O Cenáculo, localizado no topo do Monte Sião, em Israel, era um importante destino de peregrinação durante a Idade Média, fazendo, na época, parte de um mosteiro franciscano. Em 1523, porém, o local foi transformado em uma mesquita após ser tomado por muçulmanos. Gesso foi aplicado nas paredes, e as pichações acabaram escondidas por séculos. 

Com técnicas de imagem digital, os pesquisadores descobriram 30 inscrições e nove desenhos datados entre os séculos XIV e XVI. Entre outras figuras, a equipe encontrou brasões medievais da família do cavaleiro Albert von Altbach, da Suábia, um escorpião e um bagel – aquele pãozinho em formato de anel.

A figura do bagel estava acompanhada de uma taça de vinho e um prato de comida, representando, como sugere a equipe, uma referência à última ceia de Cristo. Brasões da Áustria e da República Tcheca e um navio também estão entre as outras pichações encontradas.

“Quando reunidas, as inscrições fornecem uma visão única sobre as origens geográficas dos peregrinos. Eram muito mais diversas do que a atual perspectiva de pesquisa, dominada pelo Ocidente, nos levava a crer”, explica Ilya Berkovich, autor do estudo, em comunicado.

A equipe ainda escreve que os muçulmanos também deixaram marcas nas paredes após a tomada do Cenáculo, esculpindo-as no gesso – ao contrário das imagens cristãs, gravadas com carvão. “Aparentemente, isso foi feito como uma declaração de propriedade, garantindo que as inscrições muçulmanas não seriam apagadas caso o edifício algum dia retornasse às mãos dos cristãos”.

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