
Tubarões são frequentemente vistos como os predadores mais temidos do oceano. No entanto, ataques a humanos são raros: ocorrem cerca de 100 mordidas por ano no mundo todo, e cerca de 10% são fatais.
Tradicionalmente, acredita-se que os tubarões mordem por motivos como predação, territorialismo ou competição. No entanto, um estudo recente publicado na Frontiers in Conservation Science aponta um fator menos discutido: a autodefesa.
De acordo com o Dr. Eric Clua, autor principal do estudo, algumas mordidas de tubarão são reações instintivas a comportamentos humanos percebidos como agressivos. Nesses casos, o animal reage como forma de proteger-se, e não por ataque deliberado.
Esse tipo de reação é comparável a comportamentos defensivos de outros animais selvagens, como ursos ou aves como o casuar, que também podem reagir intensamente quando se sentem ameaçados.
Algumas espécies de tubarão costeiro, como o tubarão-cinzento-de-recife, são particularmente territoriais e mais propensas a esse tipo de resposta.
Os pesquisadores analisaram também dados globais do Global Shark Attack File, que reúne quase 7.000 registros desde 1863. Identificaram 322 casos de mordidas potencialmente defensivas — proporção semelhante à encontrada na Polinésia Francesa, sugerindo que essa tendência pode se repetir em outras partes do mundo.
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