
Usando o maior e mais sensível radiotelescópio de antena parabólica única do mundo, a China obteve novos dados sobre a presença de gelo de água no polo sul da Lua. Essas descobertas são importantes porque diversos países planejam enviar astronautas para estadias mais longas na superfície lunar nos próximos anos.
Diferentemente das missões Apollo, que duravam poucos dias, os futuros exploradores devem viver e trabalhar por mais tempo na Lua. Para isso, será essencial ter acesso a recursos locais, como água e oxigênio, que são fundamentais para a sobrevivência e construção de bases lunares.
Nos últimos anos, cientistas têm apostado que o polo sul da Lua pode esconder grandes quantidades de gelo. Essa região é de interesse porque possui crateras permanentemente sombreadas, onde a luz do Sol nunca chega, o que preservaria a água congelada há bilhões de anos.
As novas observações feitas pelo Telescópio Esférico de Abertura de Quinhentos Metros (FAST) e por um radar chinês de dispersão incoerente em Sanya (SYISR) mostram que o gelo de água está mais fundo do que se pensava. Em vez de estar na superfície, ele parece estar enterrado em camadas profundas, o que torna sua extração muito mais difícil.
Segundo o estudo, publicado na revista Science Bulletin, o gelo está espalhado de forma fragmentada sob o solo. Ele representa apenas cerca de 6% do material encontrado nos primeiros 10 metros da superfície do polo sul lunar, de acordo com as imagens de radar analisadas.
De acordo com o South China Morning Post, essas descobertas podem ajudar a escolher os melhores locais para pouso e construção de futuras bases lunares. Os autores do estudo, no entanto, admitem que os dados ainda são preliminares e que será necessário combinar resultados de vários observatórios para ter uma visão mais precisa.
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