Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Nova bateria à base de água pode durar anos e não explode

Nova bateria à base de água pode durar anos e não explode

Ela não pega fogo, é mais segura e pode durar mais de 2 mil recargas. Pesquisadores dos EUA desenvolveram uma nova bateria feita com água que promete ser uma alternativa muito mais estável às baterias de lítio que usamos hoje em celulares, notebooks e carros elétricos. A ideia é simples: usar uma mistura de líquidos que não entra em combustão e ainda garante energia por muito mais tempo.

É o que destaca o Tech Explore, ao explicar como a equipe de cientistas combinou água com compostos orgânicos e estruturas chamadas ionóforos — espécies de “condutores inteligentes” que ajudam os íons de lítio a circular sem criar instabilidade. Essa combinação criou um eletrólito bifásico, ou seja, com duas camadas que se complementam: uma com água e outra com solventes que melhoram o desempenho.

Além da segurança, o novo modelo também impressiona pela durabilidade: são cerca de 2 mil ciclos de recarga — o dobro ou até o triplo de muitas baterias convencionais. E como não usa materiais inflamáveis, ela também é mais fácil de reciclar, o que pode ajudar a reduzir o impacto ambiental do lixo eletrônico.

Dando continuidade à busca por soluções para os desafios das baterias aquosas — como a baixa eficiência e a instabilidade — são justamente os ionóforos, nanocúmulos de íons de lítio, que surgem como uma resposta promissora. Esses componentes facilitam o transporte de carga elétrica e ajudam a estabilizar a estrutura da bateria.

A fórmula inclui duas substâncias específicas — 12-crown-4 (12C4) e tetraglyme (G4) — que ajudam a unir a fase aquosa com a orgânica, criando um eletrólito de duas camadas. Esse sistema reduz a resistência interna e garante um fluxo constante de energia.

Com essa inovação, a nova bateria supera os principais desafios enfrentados por modelos anteriores. Ela entrega baixa impedância (2,7 Ω·cm²), vida útil longa (2 mil ciclos) e uma descarga estável — tudo isso sem os riscos de superaquecimento das baterias tradicionais.

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