
Um estudo internacional liderado pelo astrofísico José L. Gómez, do Instituto de Astrofísica de Andalucía, na Espanha, e publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics, revelou novos detalhes sobre o jato de energia lançado por um buraco negro supermassivo misterioso presente em uma galáxia distante chamada OJ 287.
Localizado a cerca de 1,6 bilhão de anos-luz da Terra, esse sistema é considerado um forte candidato a abrigar dois buracos negros em órbita mútua – e o Brasil tem participação nessa investigação.
A pesquisa identificou diretamente a estrutura do campo magnético que molda esse jato, um fluxo de partículas extremamente energéticas lançado a partir da região próxima ao buraco negro. Para isso, os cientistas analisaram observações feitas pela rede global de radiotelescópios do Event Horizon Telescope (EHT), capaz de registrar detalhes extremamente pequenos no Universo.
O EHT funciona como um telescópio virtual do tamanho da Terra, combinando dados coletados por antenas distribuídas em pontos estratégicos do planeta. Essa técnica permite atingir uma resolução impressionante. Em teoria, seria possível detectar um objeto do tamanho de uma bolinha de pingue-pongue na superfície da Lua.
Com essa precisão, os pesquisadores observaram duas ondas de choque brilhantes se deslocando ao longo do jato emitido pelo buraco negro. Essas ondas correspondem a regiões onde o plasma – um gás extremamente quente e ionizado – sofre compressão intensa, tornando-se mais luminoso.
As observações mostram que essas ondas não se movem apenas em linha reta. Elas percorrem trajetórias torcidas dentro do jato, influenciadas por um campo magnético em forma de hélice, semelhante a uma espiral. Essa estrutura magnética desempenha papel fundamental na formação e na estabilidade do jato.
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