Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Pai da bomba de hidrogênio, Richard Garwin morre aos 97 anos

Pai da bomba de hidrogênio, Richard Garwin morre aos 97 anos

O físico Richard L. Garwin, considerado o projetista da primeira bomba de hidrogênio dos Estados Unidos, morreu na última terça-feira (13), aos 97 anos, em sua casa em Scarsdale, Nova York. A morte foi confirmada por seu filho, Thomas ao New York Times.

Garwin teve uma carreira marcada por contribuições decisivas tanto no setor militar quanto no desenvolvimento tecnológico e científico. Aos 23 anos, ele desenhou o primeiro dispositivo termonuclear funcional, usando os conceitos teóricos de Edward Teller e Stanislaw Ulam. Apesar de ter permanecido por décadas fora do conhecimento público, seu papel foi essencial para os testes bem-sucedidos da chamada bomba H, em 1952.

Durante os anos de 1951 e 1952, Garwin atuava como consultor de verão no Laboratório Nacional de Los Alamos, enquanto lecionava na Universidade de Chicago. Foi nesse período que ele criou o design da primeira bomba de fusão nuclear, baseada nas ideias teóricas já existentes, mas ainda não comprovadas.

O dispositivo experimental, batizado de Ivy Mike, foi testado no atol de Enewetak, nas Ilhas Marshall. Ele pesava 82 toneladas e se assemelhava mais a um imenso recipiente térmico do que a uma bomba convencional. Ainda assim, sua explosão foi devastadora: uma bola de fogo de três quilômetros de diâmetro e potência 700 vezes maior do que a bomba lançada em Hiroshima.

Mesmo com a magnitude do feito, Garwin permaneceu fora dos holofotes por muito tempo. Foi apenas em 1981 que Edward Teller reconheceu publicamente sua importância no desenvolvimento do projeto. “O disparo foi feito quase exatamente de acordo com o projeto de Garwin”, disse Teller.

Após o sucesso com a bomba H, Garwin optou por não seguir carreira acadêmica. Em vez disso, aceitou uma proposta da IBM, onde permaneceu por quatro décadas. No laboratório Thomas J. Watson, da IBM, Garwin trabalhou em uma ampla gama de pesquisas que resultaram em avanços importantes nas áreas de computação, comunicação e medicina.

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