
Pesquisadores que reanalisaram dados de mais de 30 anos atrás da missão Magellan, da NASA, encontraram fortes indícios de que Vênus pode abrigar atividade tectônica até hoje.
O estudo, publicado na revista Science Advances, concentra-se em estruturas chamadas coronae — vastas feições quase circulares que se estendem por dezenas a centenas de quilômetros na superfície venusiana.
Diferentemente da Terra, Vênus não apresenta placas tectônicas articuladas; ainda assim, segundo o estudo, processos análogos estariam em curso:
“Esses mecanismos mostram que Vênus, apesar das diferenças, pode compartilhar, com a Terra, processos de reconfiguração geológica complexos”, afirma Anna Gülcher, coautora do estudo e especialista em geociências da Universidade de Berna (Suíça).
As coronae não existem mais na Terra — teriam existido apenas em um estágio muito primitivo, antes do estabelecimento das placas tectônicas. Assim, investigá-las em Vênus pode oferecer uma janela para compreender os primeiros estágios da geodinâmica do nosso próprio planeta, há bilhões de anos.
Os resultados também acendem o interesse pela próxima missão Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography and Spectroscopy (VERITAS), gerenciada pelo Jet Propulsion Laboratory e agendada para lançamento a partir de 2031.
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