Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Lobo-terrível: empresa admite que animal não foi “ressuscitado”

Lobo-terrível: empresa admite que animal não foi "ressuscitado"

No começo de abril, a Colossal Biosciences anunciou que havia conseguido trazer de volta à vida o lobo-terrível, espécie extinta há 10 mil anos. A revelação foi recebida com ceticismo pela comunidade científica, e agora a cientista-chefe da empresa, Beth Shapiro, admitiu que o animal gerado é, na verdade, um lobo-cinzento com modificações genéticas.

De acordo com Shapiro, em entrevista à New Scientist, é impossível reviver um animal extinto de forma idêntica à original. Dessa forma, o animal anunciado como lobo-terrível é um lobo-cinzento com cerca de 20 alterações genéticas.

Não é possível trazer de volta algo idêntico a uma espécie que já existiu. […] É transformador e uma ciência inovadora — só não é desextinção. Nossos animais são lobos-cinzentos com 20 alterações genéticas clonadas. Dissemos isso desde o começo.

Essa declaração representa uma mudança no discurso da Colossal, já que, em abril, a empresa afirmou ter “restaurado” a espécie por meio da “ciência da desextinção”. Em um comunicado, o feito foi descrito como o retorno do lobo-terrível ao ecossistema milênios após seu desaparecimento.

Shapiro defendeu a empresa, alegando que o uso do termo “lobo-terrível” foi “coloquial”. “Dissemos isso desde o início. Chamaram os animais de ‘lobos terríveis’ de forma coloquial, e isso irritou as pessoas”, completou.

Até poucos dias atrás, a própria Colossal ainda se referia aos animais dessa maneira. “Mantemos nossa decisão de nos referirmos a Romulus, Remus e Khaleesi, de forma coloquial, como lobos terríveis”, escreveu a empresa em uma publicação no X (antigo Twitter).

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