Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Qual é o cheiro do espaço? Exposição reproduz possíveis aromas do Universo

Qual é o cheiro do espaço? Exposição reproduz possíveis aromas do Universo

Uma exposição do Museu de História Natural de Londres, chamada Space: Could life exist beyond Earth? (“Espaço: Poderia existir vida além da Terra?”), tem levado os visitantes a uma experiência sensorial inédita. Entre as atrações, uma proposta curiosa chama a atenção: perfumes criados para simular como seria o cheiro do espaço sideral.

A ideia pode soar estranha à primeira vista, afinal, o espaço é um vácuo, sem ar e, portanto, sem cheiro. No entanto, quando moléculas presentes no cosmos interagem com objetos físicos, como trajes espaciais ou instrumentos de sondas, elas podem se fixar nesses materiais e liberar odores ao retornarem para ambientes com ar. E foi a partir desses indícios, combinados com dados astronômicos, que a cientista britânica Marina Barcenilla decidiu traduzir o Universo em fragrâncias.

Especialista em astrobiologia e perfumista, Barcenilla combinou essas duas áreas do conhecimento para criar essências que representassem diferentes locais do Sistema Solar e do espaço interestelar. A proposta é que os visitantes sintam o cheiro de corpos celestes como a Lua, Titã (o maior satélite natural de Saturno) e até mesmo de uma nebulosa localizada a milhares de anos-luz da Terra.

Enquanto alguns perfumes têm notas doces e frutadas, outros são absolutamente desagradáveis – com aromas que lembram peixe morto, carne queimada ou ovo podre. E, curiosamente, todos esses cheiros fazem sentido do ponto de vista químico.

Um dos exemplos mais interessantes é o de Titã. A atmosfera dessa lua é rica em compostos orgânicos como amônia e cianeto de hidrogênio. Essas substâncias, quando traduzidas em perfume, criam um odor forte e repulsivo, semelhante a peixe em decomposição misturado com gás. A fragrância que representa Titã foi elaborada exatamente com esse objetivo: provocar uma reação visceral, mas também estimular a curiosidade científica.

Outra criação olfativa foi inspirada na Nebulosa de Sagitário B2, uma nuvem de gás e poeira localizada a cerca de 26 mil anos-luz do centro da Via Láctea. Os astrônomos detectaram ali a presença de etil formiato, o mesmo composto que dá cheiro e sabor às framboesas. Também foram identificadas moléculas de álcool, como metanol e etanol. O perfume correspondente mistura essas notas doces e alcoólicas, criando um aroma surpreendentemente familiar para representar um local tão distante.

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