Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Descoberta de 15 galáxias de rádio revela maiores objetos individuais do Universo

Descoberta de 15 galáxias de rádio revela maiores objetos individuais do Universo

Um artigo disponível no repositório online de pré-impressão arXiv, onde aguarda revisão por pares, descreve a impressionante descoberta de 15 novas galáxias de rádio gigantes, localizadas em uma região do céu conhecida como “Campo do Escultor”. 

A detecção foi feita pelo telescópio australiano ASKAP (Matriz de Quilômetro Quadrado Pathfinder), um dos instrumentos mais avançados do mundo para observações em ondas de rádio. Essas galáxias são algumas das maiores estruturas já encontradas no Universo.

As galáxias de rádio gigantes são diferentes das galáxias comuns, como a Via Láctea. Elas possuem enormes jatos de matéria que saem de seus núcleos, formando lóbulos que emitem ondas de rádio. Esses jatos são lançados por buracos negros supermassivos que ficam no centro dessas galáxias. O tamanho dessas estruturas pode ultrapassar 12 milhões de anos-luz, o que corresponde a mais de 100 vezes o tamanho da Via Láctea.

A maior dessas novas galáxias, chamada ASKAP J0107-2347, impressiona não só pelo tamanho, mas também por sua estrutura incomum. Ela apresenta dois pares de lóbulos de rádio: um interno, mais brilhante, e outro externo, mais fraco e alongado. Isso sugere que o buraco negro central pode ter “desligado” e “ligado” novamente, criando uma espécie de “boneca russa” cósmica, com camadas sobrepostas de atividade.

Esses jatos são formados quando o buraco negro central começa a engolir gás, poeira e outras matérias ao redor. O processo libera uma quantidade enorme de energia, que escapa em forma de jatos. Quando os jatos colidem com o meio ao redor, eles criam lóbulos que emitem sinais detectáveis por radiotelescópios. Quando o buraco negro fica inativo, os lóbulos começam a desaparecer com o tempo – a menos que algo os reative.

Ao site Space.com, a pesquisadora Baerbel Silvia Koribalski, da Universidade do Oeste de Sydney, disse que o estudo dessas galáxias pode ajudar a entender como elas crescem tanto. Para isso, segundo ela, é necessário observar os detalhes dos lóbulos e dos jatos com instrumentos sensíveis e capazes de capturar imagens de alta resolução em ondas de rádio. E o ASKAP se destaca justamente por isso.

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