Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Filhotes de 14 mil anos eram lobos caçadores de rinocerontes

Filhotes de 14 mil anos eram lobos caçadores de rinocerontes

Em 2011, caçadores de marfim encontraram os restos mortais de um “filhotinho” canino abaixo do solo congelado a 40km da vila de Tumat, no norte da Sibéria. Quatro anos depois, outro espécime foi encontrado, durante uma escavação no mesmo lugar. Paleontólogos acreditavam se tratar de exemplares dos primeiros cães domesticados, mas uma nova pesquisa de cientistas de Universidade de York trouxe uma perspectiva inédita.

O estudo revelou que os dois filhotinhos caninos de 14 mil anos se pareciam mais com lobos do que com os cachorros domésticos. A análise genética demonstrou que eram uma dupla de fêmeas irmãs com cerca de dois meses de idade. Sua alimentação era baseada em carnes e vegetais, assim como os lobos modernos.

Mesmo assim, a equipe se surpreendeu ao encontrar evidências de carne de rinoceronte-lanudo — espécie de rinoceronte adaptada a climas mais frios — no estômago dos espécimes. Isso levou o grupo a propor que esses lobos do Pleistoceno Superior (130 a 11 mil anos atrás), seriam consideravelmente maiores que seus parentes modernos.

“A caça de um animal tão grande quanto um rinoceronte-lanoso, mesmo um filhote, sugere que esses lobos são talvez maiores do que os que vemos hoje, mas ainda são consistentes em muitos aspectos, porque os lobos ainda tendem a caçar presas fáceis enquanto parte da matilha está envolvida na criação de filhotes”, disse o Dr. Nathan Wales, do Departamento de Arqueologia da Universidade de York, em um comunicado.

Os Filhotes de Tumat, como ficaram conhecidos, estavam preservados no gelo, ao lado de ossos de mamute com marcas de terem sido queimados e processados por humanos primitivos. Esses rastros levaram os pesquisadores a propor que os caninos teriam alguma conexão com os hominídeos, sendo como cães em processo de aproximação dos humanos para conseguir comida.

Outra evidência para a antiga hipótese de serem os primeiros caninos domesticados foi o pelo escuro dos espécimes. Acreditava-se que essa mutação estava presente apenas em cachorros, porém, os filhotes se mostraram como uma exceção por não serem relacionados aos cães modernos.

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