Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

“Eclipse artificial” é criado com sucesso por missão solar da Europa

“Eclipse artificial” é criado com sucesso por missão solar da Europa

Lançada em dezembro do ano passado, a missão Proba-3, da Agência Espacial Europeia (ESA), acaba de revelar suas primeiras imagens da atmosfera externa do Sol, chamada de coroa solar. O feito foi possível graças a um sistema inovador envolvendo dois satélites que trabalham juntos como se fossem um só para criar, pela primeira vez, um eclipse solar total artificial no espaço.

Para realizar essa tarefa, os satélites Coronagraph e Occulter (o Coronógrafo e o Ocultador) voaram lado a lado, com uma distância controlada de apenas 150 metros entre eles. Essa formação precisa foi mantida durante várias horas sem qualquer intervenção direta de controladores na Terra. A tecnologia de navegação utilizada garante que as duas naves mantenham a posição com um desvio de, no máximo, um milímetro.

O objetivo desse alinhamento é bloquear a luz mais intensa do Sol, criando uma sombra que permite ao instrumento ASPIICS, a bordo do Coronógrafo, observar detalhes da coroa solar. O disco de 1,4 metro do Ocultador projeta uma sombra de oito centímetros sobre o sensor óptico do satélite companheiro, permitindo obter imagens claras e sem interferências da luz direta do Sol.

Sigla em inglês para “Associação de Espaçonaves para Investigação Polarimétrica e de Imagem da Coroa Solar”, o ASPIICS foi desenvolvido por um consórcio europeu liderado pelo Centro Espacial de Liège, na Bélgica. Seu sistema óptico de cinco centímetros capta imagens da coroa solar com muito mais detalhes que os coronógrafos tradicionais.

Observar a coroa é essencial para entender fenômenos como o vento solar e as chamadas ejeções de massa coronal (CMEs) – explosões solares que lançam partículas no espaço quase todos os dias, principalmente durante períodos de alta atividade do Sol. Em maio de 2024, eventos desse tipo causaram a maior tempestade geomagnética dos últimos tempos, que provocou interrupções em comunicações, redes elétricas e sistemas de navegação na Terra.

Divulgadas nesta segunda-feira (16), as primeiras imagens captadas pelo ASPIICS já mostram o potencial da missão. Elas oferecem dados preciosos que ajudarão os cientistas a estudar melhor o comportamento do Sol e seus efeitos no ambiente espacial. 

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