
Um enterro de 2.700 anos em Kani Koter, no noroeste do atual Irã, revela o uso mais antigo conhecido de grafite para maquiagem. No local, foi encontrado um vaso de cerâmica cheio de pó preto feito de manganês e grafite natural.
De acordo com os pesquisadores responsáveis pela descoberta, era comum a mistura de ingredientes para a formação do chamado kohl, uma maquiagem para os olhos bastante utilizada no passado. No entanto, o exemplar localizado é diferente das formulações conhecidas até então.
De acordo com os cientistas, a inclusão do grafite na mistura é particularmente importante. O brilho preto-prateado do mineral e a fácil aplicação o tornariam ideal para delinear os olhos, indicando a inovação e a adaptação da população aos recursos locais.
O uso da substância também pode ter tido vantagens estéticas e funcionais. Ela reflete a luz, dando à pele uma aparência cintilante, e adere facilmente à superfície quando aplicado. Essas propriedades o teriam tornado um ingrediente desejável na preparação cosmética, especialmente em contextos cerimoniais ou de elite.
O recipiente kohl e os aplicadores foram encontrados intactos, e a maquiagem foi preservada dentro de um recipiente. A descoberta sugere que as sociedades antigas do Oriente Médio desenvolveram suas próprias tradições de maquiagem.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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