Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Humanidade já criou algo mais de 300 mil vezes mais quente que o Sol

Humanidade já criou algo mais de 300 mil vezes mais quente que o Sol

Em agosto de 2012, cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), na Suíça, bateram um recorde impressionante: criaram a temperatura artificial mais alta já registrada na Terra. Para se ter uma ideia, o núcleo solar chega a 15 milhões de graus Celsius. Naquele experimento, a marca alcançada foi de cinco trilhões de graus (sim, mais de 300 mil vezes mais quente que o Sol) – entrando para o Guinness, famoso livro de recordes mundiais.

O feito aconteceu dentro do Grande Colisor de Hádrons (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo. Trata-se de um túnel circular com 27 quilômetros de comprimento, enterrado sob a fronteira entre a Suíça e a França. Ali, partículas são aceleradas até velocidades próximas à da luz e depois colidem com força brutal.

De acordo com a PBS, emissora de TV educativa dos EUA, essas colisões são feitas com íons de chumbo, que são átomos pesados, cheios de prótons e nêutrons. Quanto maior a massa da partícula, maior a energia gerada na colisão. E quanto mais energia, mais calor. O resultado foi uma miniatura do que se acredita ter sido o estado do Universo nos primeiros microssegundos após o Big Bang.

O fenômeno gerado recebeu um nome curioso: “bola de fogo de quarks e glúons”. Em linguagem simples, é uma sopa de partículas fundamentais que formam tudo o que existe hoje. Segundo os cientistas, recriar esse estado da matéria ajuda a entender como o Universo evoluiu nos seus primeiros instantes.

E como se mede uma temperatura tão absurda? Não dá para enfiar um termômetro ali, claro. Os físicos analisam os efeitos das colisões: o tipo de partículas geradas, como elas se espalham e em que velocidades saem dos detectores. Tudo vira conta de física avançada.

Em um comunicado de 2020, o professor Urs Wiedemann, teórico do CERN e especialista em plasma de quarks e glúons, comparou o processo a ouvir instrumentos musicais. Mesmo tocando a mesma nota, cada um tem um conjunto único de harmônicos, que diferencia o som. No caso do LHC, esses “harmônicos” são as ondulações que surgem no plasma de quarks e glúons logo após as colisões.

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