
O Observatório Real de Greenwich (o Royal Observatory Greenwich), na Inglaterra, celebra neste 22 de junho seus 350 anos de história. Conhecido mundialmente por abrigar o Meridiano de Greenwich, referência global para a medição do tempo e da posição no planeta, o local é considerado por muitos o berço da astronomia moderna.
A origem do observatório remonta a 1675, quando o rei Carlos II decidiu criar uma instituição científica dedicada a resolver um dos maiores desafios da navegação: como determinar a longitude no mar. Naquela época, os navegadores já sabiam calcular a latitude, mas a longitude permanecia um mistério — um problema crítico para o comércio, a diplomacia, a exploração e os interesses militares.
A influência do observatório se consolidou de forma definitiva quando, na década de 1880, dois terços dos navios do mundo já usavam mapas baseados no meridiano de Greenwich. Esse reconhecimento foi formalizado em 1884, durante uma conferência internacional que oficializou Greenwich como o Meridiano Zero, referência global para a medição de longitudes.
A decisão também levou à criação do Greenwich Mean Time (GMT), que se tornou o padrão mundial para a medição do tempo — uma necessidade crescente com a expansão das redes ferroviárias e das comunicações. A partir daí, o Observatório Real de Greenwich se consolidou como um centro fundamental para a astronomia, a navegação e a padronização do tempo no planeta.
Com a questão da longitude resolvida, o Observatório Real de Greenwich passou a se dedicar a outras áreas, como o estudo do campo magnético da Terra, a observação de trânsitos planetários e a análise de estrelas binárias. Para isso, investiu em equipamentos de ponta, como o Grande Telescópio Equatorial, instalado em 1893, com uma lente de 28 polegadas, protegido pela icônica cúpula conhecida como “Onion Dome”.
O observatório também refletiu mudanças sociais. Na década de 1890, passou a contratar mulheres como “computadoras”, responsáveis por processar dados astronômicos. Entre elas estava Annie Maunder, uma das primeiras mulheres a se destacar na astronomia britânica, que contribuiu significativamente para o estudo das manchas solares e, junto com seu marido, criou o famoso “diagrama borboleta”, que representa o ciclo de atividade do Sol.
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