Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Como a ciência pode salvar o rinoceronte-branco-do-norte da extinção

Como a ciência pode salvar o rinoceronte-branco-do-norte da extinção

Em 2018, a morte de Sudan, último rinoceronte-branco-do-norte macho existente no mundo, colocou a subespécie em uma situação crítica. Hoje, apenas duas fêmeas permanecem vivas: Najin e Fatu, mãe e filha, que recebem proteção armada 24 horas por dia em uma reserva no Quênia. 

Najin engravidou de forma natural e deu à luz Fatu em 2000, quando vivia no zoológico de Dvůr Králové, na República Tcheca. Mas, aos 35 anos, já está em idade avançada para a espécie, além de ter desenvolvido problemas reprodutivos. Fatu, mesmo ainda jovem, com 25 anos, também não pode gerar filhotes naturalmente, devido a uma doença degenerativa no útero.

Esse cenário poderia representar o fim inevitável do rinoceronte-branco-do-norte. No entanto, os avanços na reprodução assistida trouxeram uma nova esperança. Fatu, apesar da doença, continua produzindo óvulos viáveis, que são coletados e fertilizados com espermatozoides de machos já falecidos. Os embriões criados são congelados e destinados à implantação em rinocerontes-brancos-do-sul fêmeas, que servirão como barrigas de aluguel – trabalho liderado pelo consórcio internacional BioRescue, com apoio do governo alemão. 

Em setembro de 2023, a equipe conseguiu transferir dois embriões de rinoceronte-branco-do-sul para fêmeas na Reserva Ol Pejeta, no Quênia. A experiência resultou em uma gestação bem-sucedida, algo inédito para a espécie.

Infelizmente, o macho usado na reprodução morreu em decorrência de uma infecção bacteriana rara. O mesmo aconteceu com a fêmea, com 70 dias de gravidez. Nenhum dos casos teve ligação com a fertilização artificial. Apesar desse desfecho triste, os cientistas afirmam que o experimento teve um lado positivo, já que comprovou a viabilidade da técnica.

Thomas Hildebrandt, líder do BioRescue e professor do Instituto Leibniz, destacou a complexidade do trabalho. “Humanos são simples. Aqui, lidamos com um mamífero de 2,5 toneladas. A injeção de esperma, a fertilização e o congelamento nunca haviam sido feitos antes com rinocerontes”, disse em entrevista ao jornal The Guardian no ano passado.

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