Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Naufrágio de navio atacado por piratas há 300 anos é descoberto em Madagascar

Naufrágio de navio atacado por piratas há 300 anos é descoberto em Madagascar

Arqueólogos acreditam ter identificado os destroços de um navio português atacado e capturado por piratas no início do século XVIII. A embarcação, chamada Nossa Senhora do Cabo, foi encontrada submersa perto de Nosy Boraha, uma pequena ilha na costa nordeste de Madagascar.

Conhecido na época como Île Sainte-Marie, o local foi um famoso reduto de piratas durante a chamada “Era de Ouro da Pirataria”. 

A pesquisa, conduzida por cientistas do Centro de Preservação de Naufrágios Históricos, levou 16 anos de análises e mergulhos. A identificação se baseou em registros históricos, na estrutura da embarcação e nos milhares de artefatos recuperados. Entre os mais de 3.300 objetos estão estatuetas religiosas feitas de madeira e marfim, parte de um crucifixo e uma placa com a inscrição “INRI” em letras douradas, referência à frase latina “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”.

De acordo com os registros, o navio deixou Goa, então colônia portuguesa na Índia, no início de 1721. A bordo estavam o vice-rei português e o arcebispo de Goa, além de uma carga considerada extraordinária, composta por lingotes de ouro e prata, baús com pérolas e uma cruz de ouro maciço cravejado de rubis. Estima-se que o valor total do tesouro ultrapasse US$138 milhões em cifras atuais.

Pouco tempo depois de zarpar, o navio foi surpreendido por uma frota pirata perto da Ilha da Reunião, no Oceano Índico. Entre os bandoleiros estava o lendário Capitão Olivier Levasseur, apelidado de Urubu ou Boca. O navio português, já danificado por uma tempestade e sem a maioria de seus canhões, foi capturado sem grande resistência. Os piratas conduziram o prêmio até Madagascar para dividir o saque.

Levasseur teria ficado com a Cruz Flamejante de Goa, que o vice-rei de Goa provavelmente usava pendurada em um colar. A joia teria sido devolvida junto com uma espada antes do afundamento do navio.

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