Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Gelo em Marte pode ser uma “cápsula do tempo” que guarda sinais de vida antiga

Gelo em Marte pode ser uma “cápsula do tempo” que guarda sinais de vida antiga

Se Marte já abrigou vida em um passado remoto, sinais moleculares podem ainda estar guardados sob o gelo do planeta. É o que diz um estudo publicado recentemente na revista Astrobiology, conduzido em parceria entre a NASA e a Universidade Estadual da Pensilvânia.

Segundo a pesquisa, fragmentos de moléculas microbianas antigas teriam o potencial de sobreviver no gelo marciano por dezenas de milhões de anos – tempo suficiente para que futuras missões espaciais possam abrir essa “cápsula do tempo” e localizá-las.

Para chegar a essas conclusões, a equipe realizou experimentos meticulosos em laboratório, replicando as rigorosas condições encontradas em Marte. Amostras da bactéria Escherichia coli foram congeladas em dois cenários distintos: em gelo de água pura e em uma mistura de água e elementos presentes no solo marciano, como rochas de silicato e argila. 

As amostras foram submetidas a uma temperatura de -51,1 graus Celsius, similar à das regiões mais frias e geladas de Marte, e então expostas a níveis de radiação equivalentes a 20 milhões de anos no Planeta Vermelho. Modelagens estenderam esses resultados para representar até 50 milhões de anos de exposição.

Os resultados mostraram uma diferença marcante na sobrevivência das moléculas orgânicas entre os dois ambientes. Enquanto mais de 10% dos aminoácidos originais permaneceram intactos após a simulação de 50 milhões de anos no gelo puro, aqueles na mistura com solo degradaram-se dez vezes mais rápido e não sobreviveram. 

Isso acontece porque a radiação age de maneira diferente sobre as moléculas nos dois ambientes. No gelo puro, subprodutos da radiação, como os radicais livres, ficam retidos e imobilizados, desacelerando a degradação química das biomoléculas. Em contraste, os minerais presentes no solo marciano parecem criar finas películas líquidas que permitem o movimento de partículas destrutivas, causando mais danos.

Compartilhe